domingo, 14 de setembro de 2014

POR DENTRO DE UMA OBRA: Clark Hulings

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Óleo sobre tela - 73,66 x 106,68

O que promove o desenvolvimento em qualquer profissão são os desafios que a pessoa encontra ao longo de sua carreira, e os acolhe como algo necessário para sua natural evolução. Muitos artistas, ao longo da história da arte, enfrentaram certos desafios que posteriormente os tornaram aclamados perante a humanidade e que certamente os deixaram melhores como pessoas e como profissionais. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Michelangelo; escultor como profissão; mas desafiado pelo papa para pintar o teto da Capela Cistina e o grande mural do Juízo Final, obras que lhe renderam tanta fama e reputação quanto as célebres esculturas que produziu ao longo de sua vida.

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Detalhe 1

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Detalhe 2

Clark Hulings; artista norte-americano; também recebeu uma incumbência em sua carreira, que trouxe para sua produção um grande e prazeroso desafio. Em 1967, o Departamento do Interior dos Estados Unidos, juntamente com a Society of Illustrators, criaram um projeto onde seriam feitas pinturas de todos os parques nacionais, por artistas daquela época. Coube exatamente para Clark Hulings o desafio de pintar o Grand Canyon, que segundo o próprio artista, foi um dos momentos mais importantes de sua carreira. Evidentemente que o artista já conhecia muitos trabalhos sobre o Grand Canyon, produzidos por várias gerações de artistas antecessoras a ele. Mas, ele tinha algo inédito em mente. E quando se quer inovar, os desafios crescem em dimensão.

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Detalhe 3

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Detalhe 4

Clark Hulings tinha em mente uma visão que até então não tivesse sido experimentada por nenhum artista, com pontos de vista extraídos de lugares inimagináveis, em tomadas aéreas inusitadas, que pegassem pessoas e animais fazendo o trajeto nas perigosas trilhas que cortam o desfiladeiro. Chegou até a conseguir permissão do governo dos Estados Unidos, para usar um helicóptero para conseguir tais vistas, coisa que é terminantemente proibida em condições normais. Isso não se mostrou muito eficiente e nem inteligente, porque todas as vezes que ele se posicionava nos ângulos aéreos que havia escolhido, os animais assustavam e o trabalho tornava arriscado tanto para eles quanto para quem os guiava. Também tinha em mente fazer composições noturnas do lugar, extraindo pormenores em plein air, mas novamente as dificuldades pareciam ser maiores que a intenção. A noite é completamente negra no fundo do desfiladeiro e as poucas ocasiões com a iluminação da lua não lhe permitiriam cobrir todas as pesquisas desejadas dentro do prazo a que se propusera.

CLARK HULINGS - Grand Canyon, emoldurado.

De volta ao começo, fez o que muitos artistas antes dele também fizeram, passou vários dias explorando os vales de ponta a ponta, fotografando e desenhando tudo aquilo que considerava importante para o seu projeto. Os resultados são as obras que não cansam de ser admiradas por qualquer pessoa que lhes empreste um momento de atenção. Fatos e histórias que fazem da arte esse maravilhoso caminho que seduz artistas ou simples admiradores, e que confirmam que os desafios promovem definitivamente toda a humanidade.

MAIS ALGUNS TRABALHOS SOBRE O GRAND CANYON,
PRODUZIDOS NA OCASIÃO:

CLARK HULINGS - Uma trilha em pleno inverno - Óleo sobre tela

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Óleo sobre tela - 55,88 x 111,76 - 1970

CLARK HULINGS - Grand Canyon - Óleo sobre tela - 78,74 x 119,88 - 1968

CLARK HULINGS - Trilha Kaibab no inverno - Óleo sobre tela

CLARK HULINGS - Trilha Kaibab, detalhe

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