sábado, 6 de fevereiro de 2016

MESTRE VITALINO

MESTRE VITALINO - Banda de pífaros - Barro cozido

MESTRE VITALINO - Engraxate - Barro cozido - 15 x 20 x 9,5

Mestre Vitalino é o único artista brasileiro a ter uma série de trabalhos pertencente ao acervo permanente do Museu do Louvre, em Paris. Um fato, que por si só, enriquece qualquer currículo. Há uma linha tênue que separa artista de artesão. Recentemente, classificou-se o segundo como aquele que produz objetos da cultura popular. Nesse ponto, a obra de Mestre Vitalino realmente pode ser classificada como artesanato. Mas, a leveza e limpeza de suas linhas, a espontaneidade e carisma de suas imagens modeladas em argila, fazem dele um artista de respeito no cenário artístico atual. Prova de que suas peças continuam sendo procuradas em leilões por todo o país.

MESTRE VITALINO - Os noivos - Barro cozido e pintado

MESTRE VITALINO - Cena de casamento
Barro cozido e policromado - 22 x 20 - 18 - Década de 1950

Vitalino Pereira dos Santos nasceu nas cercanias da cidade de Caruaru, no dia 10 de julho de 1909. Filho de lavradores, herdou o gosto pelos trabalhos em argila de sua mãe, Dona Joseja, que, além de lavradora era louceira. Aos oito anos de idade, criava bonecos de barro para sua diversão, usando as sobras de argila das peças de sua mãe. O que era apenas brincadeira, acabou se transformando em sua profissão de adulto. A cultura e o folclore do povo nordestino foram sendo narrados em cada peça que compunha, com tanta naturalidade, que a sua fama logo se espalhou.

MESTRE VITALINO - Casa de farinha - Barro cozido - 12,5 x 29,5 - Década de 1950

MESTRE VITALINO - O sapateiro - Barro cozido - 13,5 x 11,5 x 16,5

Foi apenas em 1947, que o trabalho de Mestre Vitalino ganharia maior respeito e reconhecimento na Região Sudeste quando, a convite do artista plástico Augusto Rodrigues, participou da Exposição de Cerâmica Popular Pernambucana, realizada no Rio de Janeiro. Com uma boa aceitação por parte de todos que visitaram a mostra, o artista foi convidado para mais uma mostra, agora em São Paulo, no MASP, no ano de 1949. O reconhecimento a nível mundial viria na Exposição de Arte Primitiva e Moderna Brasileiras, realizada em Neuchâtel, na Suíça, no ano de 1955.

MESTRE VITALINO - Gabinete do delegado - Barro cozido - 15,5 x 14,5 x 12

MESTRE VITALINO - Burrico - Barro cozido e pintado - 21 x 27 - 6

Pode-se dizer que a trajetória de vida de Mestre Vitalino é muito parecida com a de milhares de nordestinos: pobre, não conseguiu se alfabetizar, porque tinha que ajudar seus pais na lavoura. Era um cidadão comum na região:  baixo e franzino, cor parda, pele áspera e queimada ao sol. Casou-se aos 22 anos de idade com Joana Maria da Conceição. Dos 16 filhos do casal, apenas 6 sobreviveram. Após 17 anos de casamento deixou o sítio Campos e se mudou para o Alto do Moura, comunidade localizada a 7 Km de Caruaru, onde passou o resto de sua vida. No Alto do Moura sua obra passou a ter mais destaque, ele era muito admirado pelos demais moradores do lugar. Todos queriam ver de perto seu trabalho e aprender com ele como manipular a argila. Vitalino se orgulhava de sua profissão e não tinha receio de ensinar o que sabia a todos os moradores do local. Dos cerca de 130 temas que criou sobre a realidade nordestina, todos foram ensinados a seus seguidores. Daí o título popular de “mestre”.
Depois de um período de glórias e viagens para exposições em várias partes do Brasil, ele se refugiou em sua casa, no Alto do Moura, mas não viveria muito tempo. Vítima de varíola, que não pôde ser cuidada a tempo, o artista faleceu a 20 de janeiro de 1963.

                        
Esquerda: MESTRE VITALINO - Homem com garrucha - Barro cozido e pintado - 25,6 x 9,5 x 14,5
Direita: MESTRE VITALINO - Sanfoneiro - Barro cozido - 15 x 7 x 9


A fama de Mestre Vitalino transcendeu a sua morte e sua biografia já inspirou o samba-enredo da Império da Tijuca em duas épocas, em 1977 e 2012. A casa onde viveu uma boa parte de sua vida, no Alto do Moura, abriga atualmente as instalações da Casa Museu Mestre Vitalino e em seu entorno foram criadas várias oficinas de artesãos. Graças a ele, a feira de artesanato de Caruaru é um dos principais pontos turísticos da região. Além do Museu do Louvre, citado no início da matéria, suas obras podem ser apreciadas também No Museu Casa do Pontal e Museu Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, além do Acervo Museológico da Universidade de Pernambuco, no Recife e na Casa Museu Mestre Vitalino. Grande parte de seu trabalho está espalhada em várias coleções particulares de diversas partes do mundo.

Mestre Vitalino e família