quarta-feira, 30 de julho de 2014

JOSÉ GERALDO FAJARDO

JOSÉ GERALDO FAJARDO - D. Otília - Óleo sobre tela

Já faz tempo, a pintura de retratos é um dos temas mais apreciados na pintura. Também já faz tempo que ela deixou de ser apenas um dos principais exercícios nas academias e escolas de arte, para se transformar num dos gêneros mais difundidos e praticados. Ela não permite apenas o aprendizado do ofício de desenhar, pintar e aplicar técnicas, mas principalmente eternizar o modelo retratado, fazendo com que artista e obra atravessem séculos e se imortalizem. Antenados a isso, muitos museus e galerias de arte já perceberam que são os retratos as peças mais preciosas de suas coleções. Mais que a simples representação de um modelo em uma superfície, os retratos expressam muito sobre o período em que foram criados e sobre o histórico de seus criadores.

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Arthur Sendas - Óleo sobre tela

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Alice Cabral
Óleo sobre tela

Aristóteles, ao afirmar que "o objetivo da arte não é apresentar a aparência externa das coisas, senão o seu significado interno; pois isto, e não a aparência e o detalhe externos, constitui a autêntica realidade", trouxe para a representação dos retratos um outro significado. A uma pessoa retratada, é acrescentada a carga sentimental de quem a executa. Assim, um mesmo retrato pode ter várias interpretações pelas mãos de diferentes artistas. Havia, até bem pouco tempo atrás, o conceito errôneo de que um retrato fosse uma peça exclusiva apenas ao seu dono ou aos parentes do mesmo. Os retratos são vistos, agora, principalmente como um exercício figurativo e como tal, representa uma obra de arte a ser admirada por vários aspectos.

JOSÉ GERALDO FAJARDO - O aristocrata - Óleo sobre tela

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Presidente Ernesto Geisel - Óleo sobre tela

Há artistas que dedicam quase que exclusivamente à representação dos retratos em suas obras. José Geraldo Fajardo é um dos grandes nomes da representação desse gênero em nosso país. Como o próprio artista afirma, “pintar retratos é um desafio incrível”. Como ele tem uma paixão por registrar pessoas, foi praticamente empurrado para que esse gênero de pintura tornasse o seu preferido. Mas, também executa paisagens, naturezas mortas, animais e cenas de gênero. E faz isso se utilizando de várias técnicas: grafite, sanguínea, pastel seco e oleoso, tinta ecoline sobre papel e principalmente o óleo.

JOSÉ GERALDO FAJARDO - O professor de música - Óleo sobre tela

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Laços de família - Óleo sobre linho

Nascido na Ilha dos Pombos, interior do Rio de Janeiro, a 6 de agosto de 1960, José Geraldo Alves Fajardo começou na pintura somente em 1996, de maneira autodidata. Mas, como todo bom artista pesquisador, deixou-se influenciar pelas obras de vários mestres antigos: Pedro Américo, Batista da Costa, Henrique Bernardelli, Eliseu Visconti, Velásquez, Gerard ter Borch, Vermeer, Rembrandt, Hans Holbein e Maxfield Parrish. Como resultado, firmou-se em um estilo realista com colorido e pinceladas bem característicos.

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Jovem mukubal - Óleo sobre tela

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Francisco Alves, Retrato do velho
Óleo sobre tela

Ao ser indagado sobre o figurativismo e o atual cenário nacional, o artista afirma: “O figurativismo nacional está com muita força e expressão. Temos artistas excelentes que podem perfeitamente ombrear com os internacionais. Faltam-nos marchands com mentes mais livres, independentes e desapegados de rótulos, que queiram ajudar na expansão do mercado das artes do Brasil”. Ainda falando sobre a arte realista, o artista conclui: “A arte e a beleza são uma conquista da alma. Se a pessoa possui isto dentro de si, se ela deu este salto evolutivo, ela terá, irresistivelmente, que atuar independente de ‘achismos’. Os ditos ‘dias contados para a arte realista’(como muitos insistem em dizer) para mim são um equívoco de raciocínio, que visa, talvez, até inconscientemente, destruir o desejo. E, quando se destrói o desejo, destrói-se a mente. Uma mente avariada acovarda-se diante da possibilidade do sonho, daquele sonho arrebatador que levou Beethoven a compor a sua 9ª Sinfonia, a Vivaldi as 4 Estações, a Albinoni o Adágio em Sol Menor, a Pedro Américo a pintar a Batalha do Havaí...  Enfim, sinto, pelo que vejo e constato que a bela arte está ai. O que aconteceu e ainda acontece, na minha visão, é que a arte conceitual conseguiu fazer sombra na figurativa”.

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Abraham Lincoln
Óleo sobre eucatex

JOSÉ GERALDO FAJARDO - Vincent Van Gogh
Óleo sobre tela


Morando atualmente no Rio de Janeiro, o artista sente que o mercado de sua cidade ainda não se deu o valor que merece. Existindo ali excelentes artistas figurativos e não figurativos, compara os mesmos a “um elefante que não experimentou ainda o seu potencial porque ainda se enxerga como um camundongo”. Ao mencionar a arte brasileira em relação à arte praticada nas grandes potências do mercado, exclama com convicção: “O Brasil tem muito a caminhar! Muito! Nós ainda não temos o vigor necessário que outros países possuem, porque não despertamos para tal. É como se necessitássemos desvelar para despertar. Só na vigília é que podemos enxergar a fonte transformadora que a arte pode proporcionar”.


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